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Desde o início o Lamber a Cidade me fez questionar o que era o trabalho, a ação de projetar em movimento? o registro desta projeção? ou o registro da ação? quando me vi tempo demais pensando e me afligindo em ter uma resposta, parei, disse a mim mesma: a obra é tudo, cada resultado é uma parte dela, cada parte é um novo trabalho, foi quando passei a chamar de ativação, o que aciona, energiza e intensifica as técnicas em direção aos desejos.

Várias questões vieram até mim e a maquinária para realizar o trabalho foi ficando mais específica, alguma dificuldades técnicas foram superadas e conceitualmente amadureci a proposta. Para este experimento a imagem deve continuar em movimento não mais pelo carro e sim por uma bicicleta elétrica, depois das perguntas que me fiz sobre a natureza de existência da obra, resolvi experimentar o registro feito em diferentes ângulos. Mantendo o registro da projeção através da parafernália audiovisual, acrescentei um plano mais amplo, onde a ação fosse acompanhada e registrada por um outro ponto de vista, ou seja, eu, a bicicleta e a projeção, para estas filmagens convidei o artista Marcelo Rodrigues, que já me acompanhou em alguns trabalhos e que é um artista com quem tenho uma sintonia muito carinhosa e densa, ele me conhece e sabe como me deixar confortável, já que o desconforto é um dos sentimentos que mais experimento na vida é muito bom estar com pessoas que diminuem este peso.

A Bicicleta representa várias questões sociais, para mim, ela significa uma viagem no tempo. Andar de bicicleta sempre foi minha brincadeira mais divertida, cedo aprendi a pedalar e quando criei o Lamber a Cidade pude reviver o vento no rosto. Vicente Cecim disse uma vez que nós não deveríamos esquecer a criança que nós continuamos sendo hoje, que a criança dentro de nós é a que mais sabe da vida, pois ela foi a primeira coisa a surgir e que tudo que sabemos é essa criança que nos ensina.

Esta foi a primeira vez que eu me vi lambendo a cidade, por meio do olhar do Marcelo Rodrigues eu pude ver como eu me roço a esta cidade, a esta Amazônia, uma parte da minha Amazônia que é uma ‘outra’ selva, com seus próprios contornos e mistérios, um outro tipo de ‘entre’ nem Floresta, nem Metrópole, é o que é, e onde me encanto e me encontro.

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