melissa barbery . artista visual
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Prêmio Diário Contemporâneo
Lamber a Cidade
2021
Este foi primeiro vídeo do Lamber a Cidade a ser exposto ao público, era importante naquele momento poder apresentá-lo para as pessoas, quando ele foi feito estávamos reclusos em casa por conta da pandemia da Covid-19 por mais de quinze meses, muita coisa tinha acontecido, quase nada era bom, vocês devem lembrar e espero que ao ler este texto não revivam aquilo que nenhum de nós deveria ter vivido.
Usando a máquina do tempo da história através da memória, nos levo até 2018, um ano terrível onde a jovem democracia deste País, Brasil, sofreu mais um golpe, ainda que possamos questionar os porquês, o golpe era lícito, ainda que possamos condenar os métodos, as pessoas votaram, e ainda que soframos por cinquenta anos para nos recuperarmos, ele deixou sequelas permanentes.
Vamos entrar no trem do tempo e voltar mais um pouco. Antes de 2018, em meados do ano de 2015 eu passei a participar de um coletivo chamado de Ocupar a República, que se formou quando após as eleições de 2014 a candidatura da Presidenta Dilma Rousseff foi questionada e em um golpe arquitetado e fortuito iniciou um processo de impedimento que nos levou ao resultado de 2018.
Foram mais de quatro anos e muitos encontros onde tive a oportunidade de expandir meu eu social, meu ser coletivo. Onde conheci muitas pessoas que me encheram de novas perspectivas, onde entendi o que é um movimento social, o que é a política, o diálogo, na maior parte das vezes eu apenas ouvia, abrindo todos meus canais escutei com o corpo, minha pele se reconhecia, meus olhos se voltaram para dentro, meus pés caminhavam pelos trilhos do trem do tempo, voltei muito longe e na volta me perdi e me re encontrei, entre as insurgências LGBTQIA+, o feminismo, a luta por uma sociedade mais justa, eu me revi, recolhi-me e me expus, acanhei-me pelos meus privilégios, entre direitos e deveres me revoltei e, hoje, esse levante vive em mim.
Voltando para 2021 quando o primeiro Lamber a Cidade foi exposto no Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia foi uma oportunidade de oferece-lo como experiencia ao público, eu me planejei para ir frequentemente à exposição, mas não pude, eu tinha tido Covid grave no início deste mesmo ano, fiquei quase trinta dias internada e as consequências disso é o que chamam hoje de Covid longa, em quanto o Lamber a cidade estava passando nas paredes do Museu da UFPA eu estava em casa, muito cansada física e mentalmente para estar lá e interagir com o público, demorou para que eu melhorasse e chegasse até aqui.
Então consegui ir, nas últimas horas do último dia da exposição, fiquei por lá um tempo, um dos monitores me contou um pouco de como tinha sido a experiência com o público, disse-me que alguns se perguntavam se eu tinha feito com ajuda de um programa de edição ou se eu havia projetado e filmado, levei comigo estas impressões, Lamber a cidade é um trabalho em processo, ainda tinha e tenho muito o que pensar, elaborar, criar, editar.